quarta-feira, abril 11, 2007

E a mente pára?

Para que, meu deus?!
Pára nada e se parar nós concerta. Nem que seja com nó.
Por que se mentir fosse ruim ninguém mentia
E se pensar fizesse mal, ninguém pensava.
E vamos nós lá pensar com a mente: "como essa moça mente".
E minto mesmo, com gosto porque posso.
Pra quem não pode: "Que é que eu tenho haver com isso?”.

segunda-feira, abril 09, 2007

Acesso ao Mirante

Mira ante a cegueira, cansaço, dor nos quadros, até mesmo óculos de grau 0,75.
Mira antes porque durante já não é mira sequer mirante.
É qualquer coisa que aconteça agora.
Fim do que se pensou mirar.
Alvo atingido. Ponto.
Mirante. Largo horizonte. Distante. Em instantes.
Mira em todas as direções. Que por sua vez miram O Mirante.
Miradouro incessante em forma de fanzine.
Alternativo. Independente. Experimental.
Complexo de pensamentos. Simples, porém.

Zine-se aO Mirante.

http://omirantezine.blogspot.com/

quarta-feira, abril 04, 2007

E Deus, existe?

Era pra ser mais uma daquelas viagens estrelares, cujo fim é um universo de pensamentos incoerentes que muitas vezes caem em textos tão pouco. Aliado a essa mania, que permeia minha mente em qualquer horário, estava a calma do local, a amplidão do silêncio e os ruídos de pneus e pista. O transito rápido. O transporte vazio. Era apenas mais uma daquelas viagens em “Ribeira/Boca do Rio”, vermelho e fedorento.

Não me estranha a paz. É ela que procuro quando converso com minha cabeça cansada. Mas qualquer ruído, qualquer que seja visto o silêncio, é capaz de me tirar desse alucinado mundo. Foi uma conversa, um papo qualquer, que me levou à maior descoberta de meus poucos 21 anos de vida.

Nem se pode chamar de conversa duas frases trocadas por duas estudantes fardadas que procuravam um local pra se sentar e papear. No fim tudo o que se encontra é o vazio de dois daqueles lugares reservados, o único lado a lado. Do meu lado escutava apenas a troca de palavras já que meus olhos direcionavam à janela parcialmente aberta que mostrava uma Salvador noturna e seu cheiro. Resolvi investigar. Tinha certeza que o ônibus estava vazio. Não podia ser tão louca (se bem que às vezes posso) a ponto de imaginar amplidão de lugares... Confirmada a expectativa dei-me conta que todos os assentos duplos estavam ocupados por uma única pessoa. Todos. Ninguém havia tido a força de vontade, repito força de vontade, de sentar ao lado de alguém, algum rosto desconhecido qualquer. Salvo as duas garotas, que papeavam sobre coisas da vida, todo o resto era silêncio.

Adoro as janelas. Este é um fato. Tanta coisa acontece no mundo lá fora. E tudo tão rápido diante de uma janela de carro... Mas tanta coisa acontece no mundo de dentro, lembrando-me de uma certa discussão tão religiosa a ponto de calar meus ouvidos... E Deus está nisso. Deus está no fato das pessoas preferirem as janelas. Melhor, Deus está no fato das pessoas preferirem a solidão a arriscarem o desconhecido. Porque nem todos estavam na janela. E Deus, se é que ele existe, sabe disso. Então me lembrei o porque da cidade vagar aos poucos. Mais um feriado cristão. Será que Deus sabe disso?

Adoro esses feriados. Seria hipocrisia minha dizer que não. Adoro tanto que comemoro como se fizesse parte de mim. Ainda que coma peixe preferindo carne e queira abrir meu chocolate antes do Domingo. Mas pra mim isso nunca foi Deus. Era só mais uma forma de reunir a família. Morder minha avó. Beijar um monte de gente gostosa varias vezes em vários dias. Rir, conversar, brincar... Quando eu era criança, e todos esses que quero tão bem estavam perto de mim, Deus não existia. Nenhuma criança que se preze acredita no que não pode ver. Só os adultos são capazes disso. As crianças apenas aprendem com os adultos a dizerem que crêem. Sinceramente, ainda não aprendi. E minha mãe ainda teima.

Teve um tempo que me referia apenas à Deusa. Pra mim se existe um Deus deveria existir uma Deusa. E tiro essas conclusões diante da imagem que pintam de Deus. Não é ele bom e justo? Nenhum homem bom e justo seria machista a ponto de afirmar não precisar de uma mulher. Além disso se querem dizer que foi Deus que criou a natureza só poderia ser uma mulher a criar a terra. Vem da mulher a idéia de cria, de fruto, e não dos homens. Fato. Mas nada de Eva nascer da costela de Adão, apesar de aceitar como qualidade essa faceta tão inteligente de Eva de não aceitar afirmativas como verdades. Foi a primeira a contestar Deus. Se não fosse ela, diante dessa idéia de mundo, nunca haveria os questionadores. E eu não estaria aqui questionando a existência divina.

Pois bem, minha tese quanto a Deusa foi quebrada por mim mesma quando tive a certeza de que não acreditava em Deus. O fato é, se não existe esse Deus que tanto falam por que existiria uma Deusa que poucos comentam? Apesar de que quantidade não torna um fato mais ou menos verdadeiro. Simplesmente contradiria tudo o que penso e preferi não acreditar mais na Deusa. Ponto.

Mas alguns podem se perguntar: Por quê ela não acredita em Deus? Simplesmente porque não existem argumentos o bastante para me afirmarem a existência deste. E não precisa ser cientifico não! Sou tudo menos cientista. Mas ao menos fatos, esses são necessários para se provar uma crença. Aliado a isso a existência de milhares, sim milhares, de religiões que acreditam em um mesmo Deus com nome diferente, costumes diferentes, verdades diferentes. E brigam entre sim numa tentativa estúpida de afirmar ser o seu Deus o verdadeiro. Querem mostrar a todos, fazer com que todos vejam a sua verdade universal. E Deus é isso? O que me lembra Guerra Santa, chacina de Mulçumanos, de Judeus... Tudo em nome de Deus. Seria isso a verdade? Será a verdade o que se prega de porta em porta? Será a verdade aquilo que se escreveu há tantos milhares de anos e hoje é tido como verdade acertada? Para mim muito presumível. E esta é a verdade, não há verdades.

Não tenho paciência. Nenhuma. Prefiro não acreditar em Deus e pronto. Vejo a Bíblia como um ótimo livro história. O primeiro a reunir fatos e lendas com aquele quê poético que tanto aprecio . Mas Deus? Deus está tanto nisso quanto está em "Código Da Vinci", ou em poemas de Cecília Meireles. E Jesus, um grande líder. Daqueles contestadores e que dão cara à tapa. A de se admirar, claro. Mas não mais filho de Deus quanto meu pai seria se ele existisse...

Uns dizem que Deus está em todo lugar. Outros apontam apenas um único para se encontrar Deus. Difícil seria eu encontrá-lo no segundo caso. Claustrofobia crônica. Lugares fechados? ECA (boa desculpa, eu sei! =D). E se for o primeiro, espero que ele esteja na vastidão que se apresenta ao meu lado porque se estiver sentado com o cara em minha frente nunca irei vê-lo. Prefiro olhar para a janela...

Dizem que não se deve discutir sobre Deus. Um daqueles assuntos que se assemelham a "bunda, cada um tem a sua". E se Deus existir, e for isso tudo que dizem, ele vai me entender. Aiai, essa idéia de que "felizes são aqueles que crêem sem vê" me parece história para adulto dormir.

domingo, abril 01, 2007

Entre atos.

Um dia primeiro,
Mentindo como o dia dois.
Fingindo como o dia três.
Ou como qualquer dia depois.

Entre mentes ludibriando verdades,
entre verdades enganado mentes,
Seria um dia como abril,
de um outono quente.

E quem vê folhas caindo pressente:
quem sabe no ano que vem,
quem sabe no ano que foi,
quem sabe amanhã ou depois.

Era para ser uma mentira, porém não falsa.
Mas quem engana sempre sabe:
não há de ser verdade nunca,
não há de ser nunca verdade.

E múrmuros e textos inventados
enganam passageiros em mais um roteiro...
Não será o último,
não foi o primeiro...

como existirá terceiros, entre outros. Entre atos.

sexta-feira, março 30, 2007

Vontade.

Sabe aquela vontade, daquelas vontades bem loucas,
de escrever alguma coisa?
Vem assim sorrateira, tentando rimar, faceira,
e se esconde em um véu de tola transparência.
Coça as mãos. Os braços. O cerebelo.
Arrepia cabelos e pêlos.
Pelo menos.

É feito vontade de fazer algo qualquer.
Vai deixando, deixando,
e de repente todos os dias gritam pelo prazer de fazer.
Até que se faça.
E provavelmente se esqueça.
E que se imponha de novo. Vai saber.

Quanto a escrever não se precisa muito tempo.
A vontade já se instala louca.
Vai forçando seu raciocínio lento da manhã,
assolando seu dia feito sol de meio,
e se inunda à noite em torno de luas.
É algo que não se consegue fugir.
E vem assim, meio selvagem, meio doente.
Vomitando o que se tem
explorando o que se não.

É feito amor.

Bem que não queria ser.
Porque é entrega.
É apego.
E essa vontade me manda, feito feitora, eu feito escrava.
E não peço arrego.
Nem quero, ai de mim.

quinta-feira, março 29, 2007

Cantoria,

De repente me imaginei em um outro mundo,
cujas paredes são brisas
e o ar é feito concreto.
Vi-me entre o pé e a estrada,
entre o movimento e o estático.
Sorri, como toda boa garota.
Dentre o diverso sempre surge o complexo.
Mas o oposto? Este é bastante simples.

E sempre tentamos não escrever quando queremos dizer tudo.

terça-feira, março 20, 2007

Sentimentalismo



Tanta coisa para escrever.
Tantas palavras surgem na cabeça desta eterna viajante.
Mas nada é digno, nada é correto, nada encaixa...
E tudo parece fluir:
O fluxo do sangue no corpo,
a pulsação nas veias,
a respiração que dá vida aos pulmões.
- Bravo.
Grita a mente enraivecida.
A oportunidade perfeita para contar segredos
e me fecho em meu casulo quase patético.

Não seria eu se fosse de outra forma.
"Sentimental eu sou"...
E muito discreta.