quarta-feira, dezembro 06, 2006

Palavreando.Palavreado.Palavrear.

palavreando.palavreado.palavrear.
simplicidade.simples.
dedos.mãos.lábios.faces.
papear.papeando.ar.
simplesendosimplesimplesmente.
"chuvadecores","tardequexplode","lagoabrilha".
drummond.sendo.assim.simples.ser.
adeus.olá.até.simples.
simples-mente.menteamente.simples.
vida-simples...
simplicidadesimples?
casinhamenor.distânciamaior.
terra.
olha.olhos.olham.
vento.
dedinhosdopé.
faz.fazen.fazendo.
sinceridade?simples...
simplicidade.
complexamenteviver.
extasiado.êxtase.ser.

simplesmentecomplexa.
E.mais.nada.

sábado, novembro 25, 2006

Cómico/Trágico

Some.
Somem os dedos dos pés. Dos pés!
As mãos? As mãos somem...
Os olhos no espelho.
A face não vê desespero.
Há apenas medo.

Somem os joelhos e cotovelos.
Aquele lugarzinho que trazia frio à espinha.
O peso no ombro.
Na consciência.
Imaginário peso pesado.
Pesa? Sim.

Coração? Some, desaparece, evapora.
Puf, pum, plapz, zum!
O corpo sumiu! O mundo sumiu!
A face não vê desespero.
Nem medo.
Não há mais espelhos.

Único, única, sempre?!
Eterno que não é eterno. Some.
Desaparece o tempo?
Ruídos de vida contínua, continua.
Continuarão sempre.
Fenômeno do membro fantasma.
Vida fantasma.

Somaram as tragédias do mundo caduco.
Oh tédio.

terça-feira, outubro 03, 2006

Todo artista...



Existem dias na vida de qualquer artista, grandioso ou desacreditado, em que a inspiração não consegue finalizar.
Nenhum pensamento transforma-se em arte. Pura, bela... ARTE. Nada é digno o bastante.
As idéias tendem à não conclusão e o objeto de tanto trabalho é apenas uma metade.

Existem dias, na vida de qualquer poeta...
Dias assim.
Todo o corpo textual criado é desfavorecido por uma autocrítica que inspira comiseração. Nenhum escrito é merecedor de análise extra-criador.

Todo poeta passa por isso, todo artista passa por esse momento. Todo artista é poeta, todo poeta é artista! VIVA!
E o circo não tem mais aquela beleza. A vida não tem mais aquela beleza. As palavras não são mais tão belas. Não o quanto quisera que fosse, pois por serem palavras são já em sua natureza: belas... (Aspas à vida).

E há um medo. Medo incomum de que algum passante-viajante-itinerante leia os esboços mal escritos.
Esboços de uma obra que nunca findará. E nunca finda.
Estão espalhados pelos cantos da sala. Pelos cantos do quarto. Entre as folhas de um caderno colorido.

Há um medo.
Não que o poeta se menospreze ou menospreze aquilo que um dia escreveu...
Creio que, assim como quando conversou comigo, Virginia os tocou... De uma forma ou de outra... A todos: artistas poetas, poetas artistas. Com a mesma mensagem, na mesma linguagem. Bela e arrasadora:

"Devemos modelar as nossas palavras até se tornarem o mais fino invólucro dos nossos pensamentos. Os pensamentos são divinos".

Os pensamentos são divinos...

Sim... Há uma angústia, há um medo, um temor sem ou com preceitos.
Não, não creio que seja eu um ser tão nobre a ponto de possuir pensamentos divinos... Meus pensamentos são divinos? A vida é, realmente, entre aspas...

Interessante é que tudo parece fluir quando as coisas estão bem. Ou quando estão ruins, também.

E existem dias assim...

Outro dia ao papear com Veríssimo reconheci que quando é morna a vida há um quase que incomoda, que entristece e que mata trazendo tudo o que poderia ter sido e não foi...

Foi aí que descobri o mundo.

Imagem: Angústia(A Mãe do Artista) de David Alfaro Siqueiros.

domingo, setembro 10, 2006

Confeccionando um sambinha assim...




Desejo tecer um sambinha pra ti.
Vontade não falta.
Anseio.
Enroscando em finos trapos, titubeio.
Como realizar um querer sem tanto entregar?

Não sou de sambas, não crio sambas, não danço bambas.
Costurando-me em linhas: não sei sambar.
Ouço o ritmo da banda que passa,
Levando uma letra, doce bamboleio, movimento que arrasta-se pelos pés.

Não sou assim: De sambas, de gingas ou manhas...
Mas criar? Queria sim. Um cheio de dengos pra ti.
Originar um desejo. Construir, gerar, parir...
Um remendo de palavras cantadas só a ti...

Talvez um “samba a dois”, talvez...

Quem sabe assim inventava um sambinha até mesmo pra mim.

terça-feira, setembro 05, 2006

Vou ou Fico?

Não sei se vou.
Ou se fico.

E fico.

Chorei, chorei...
Lágrimas vertentes.
- Era a tristeza

Não sei se fico.
Ou se vou.

E Vou.

Chorei, chorei...
Lágrimas ardentes.
- Era a saudade.

.
.
.

"E a vida ainda tinha uma maneira de somar um dia à outro dia."
(Virginia Woolf - Mrs. Dalloway)

terça-feira, agosto 29, 2006

Tempo ॐ







Eu não tenho muito tempo.
Não. Não tenho.
Algum tipo de brincadeira?
Eu não sou do tipo que faz brincadeiras.
Uma menina muito séria, eu sou.
Bom...
Tá bom! Nem sempre...
Mas na maioria das vezes eu sou muito, muito séria.
Poxa vida, ainda quer me contestar?
Não percebeu que eu não tenho muto tempo?!
Vamos logo para as despedidas e não quero ver nenhuma tristeza em sua face.
A vida é assim... Não é o que todos dizem?

Eu não tenho muito tempo!
Os minutos já estão acabando.
Tudo indica que o fim se aproxima.
Cada vez mais próximo.
Cada vez mais...
Cada vez...
Cada...
...





Ai! Essa vida de estudante... não me sobre nem um resquício de tempo!

domingo, julho 30, 2006

...

{{Jacqueline Rebout}}
É tão simples...
E a vida passando bem à frente.
Andando pelo mundo prestando atenção em cores... em amores... em momentos.

Pela janela do quarto - a vida passando bem em frente.
Pela janela do carro - a vida passando bem em frente.

Sorrisos úmidos. Lágrimas?
Mas quem é ela?

Está tudo enquadrando...
Remoto controle...
Esquadros...