domingo, setembro 10, 2006

Confeccionando um sambinha assim...




Desejo tecer um sambinha pra ti.
Vontade não falta.
Anseio.
Enroscando em finos trapos, titubeio.
Como realizar um querer sem tanto entregar?

Não sou de sambas, não crio sambas, não danço bambas.
Costurando-me em linhas: não sei sambar.
Ouço o ritmo da banda que passa,
Levando uma letra, doce bamboleio, movimento que arrasta-se pelos pés.

Não sou assim: De sambas, de gingas ou manhas...
Mas criar? Queria sim. Um cheio de dengos pra ti.
Originar um desejo. Construir, gerar, parir...
Um remendo de palavras cantadas só a ti...

Talvez um “samba a dois”, talvez...

Quem sabe assim inventava um sambinha até mesmo pra mim.

terça-feira, setembro 05, 2006

Vou ou Fico?

Não sei se vou.
Ou se fico.

E fico.

Chorei, chorei...
Lágrimas vertentes.
- Era a tristeza

Não sei se fico.
Ou se vou.

E Vou.

Chorei, chorei...
Lágrimas ardentes.
- Era a saudade.

.
.
.

"E a vida ainda tinha uma maneira de somar um dia à outro dia."
(Virginia Woolf - Mrs. Dalloway)

terça-feira, agosto 29, 2006

Tempo ॐ







Eu não tenho muito tempo.
Não. Não tenho.
Algum tipo de brincadeira?
Eu não sou do tipo que faz brincadeiras.
Uma menina muito séria, eu sou.
Bom...
Tá bom! Nem sempre...
Mas na maioria das vezes eu sou muito, muito séria.
Poxa vida, ainda quer me contestar?
Não percebeu que eu não tenho muto tempo?!
Vamos logo para as despedidas e não quero ver nenhuma tristeza em sua face.
A vida é assim... Não é o que todos dizem?

Eu não tenho muito tempo!
Os minutos já estão acabando.
Tudo indica que o fim se aproxima.
Cada vez mais próximo.
Cada vez mais...
Cada vez...
Cada...
...





Ai! Essa vida de estudante... não me sobre nem um resquício de tempo!

domingo, julho 30, 2006

...

{{Jacqueline Rebout}}
É tão simples...
E a vida passando bem à frente.
Andando pelo mundo prestando atenção em cores... em amores... em momentos.

Pela janela do quarto - a vida passando bem em frente.
Pela janela do carro - a vida passando bem em frente.

Sorrisos úmidos. Lágrimas?
Mas quem é ela?

Está tudo enquadrando...
Remoto controle...
Esquadros...


sexta-feira, maio 19, 2006

Enquanto o Sorriso não Vêm...


-"Então sorria" - disse a menina.
O rapaz que a escutava sorriu levemente e seguiu em frente.
-"Sorria" - gritou a menina, enquanto pulava entre o verde jardim.
Sorrindo intensamente, brilho nos olhos cheios de travessuras.

O orvalho da noite transformou árvores e plantas em gelo.
Havia um corpo na cama.
Um certo desmazelo,
Enquanto flores mortas repletas de odores se desfaziam em petalas e fim.

Todos olhavam,
Todos viam.
Mãos tocavam, mãos sentiam...
Não batia o coração, não havia pulso ou qualquer sensação.

-"Então sorria" - disse a menina.
Lágrimas entre olhos e pálpebras.
Trémulas mãos entre cabelos.
Sorrisos desfeitos.

Enquanto a juventude brincava de ser jovem
e os pássaros cantavam a dor da morte,
Risos foram ouvidos. Risos além.
-"Sorria" - gritava a menina enquanto pulava entre o verde jardim.

sábado, maio 06, 2006

O dia em que o tempo parou...


Estava pensando em escrever sobre amores ou então sobre cores, talvez até momentos... Mas no fim não tenho vontade de nada, além de sorrir.

Entre risadas, sorrisos e gargalhadas...
O tempo parava,
Contrariando tudo o que se esperava.
Para ver a banda passar -
Com suas cores, seus laços e seus odores -,
Uma multidão acompanhavam passos.

Não havia dia,
Não havia noite.
Nenhuma corrente de ar tremulava os tecidos frágeis...

Crianças corriam paradas,
Homens batiam palmas sem ruídos,
E havia o silêncio dos passáros.

Enquanto melodias sussurravam nos ouvidos mais despertos...

Para ver a banda passar,
A mãe deixou as coisas de casa...
Correu pela rua de barro,
Desceu ladeira abaixo, machucou joelhos e feriu pés...

Ao ver a banda passar o tempo parou,
O sorriso estacionou nos lábios.
Sensação de gargalhadas silenciosas...

E doces melodias sussuravam nos ouvidos mais despertos.


-----> O tempo parou como não deveria ser.


Estava pensando em escrever sobre amores, quem sabe sobre cores ou então momentos. Mas o tempo parou... Não esperava por isso. Agora não tenho vontade de nada, além de sorrir.

quinta-feira, maio 04, 2006

Flores...


Aromas pairam no ar.
Entres diferentes perfumes distingue-se o de flores do campo...

Foi um sonho que tive:

“Caminhava distraída sem pensar em nada, nem na vida, observando mãos e pés, movimentos e ventos, e entre ruas, escadas e sacadas esbarrei-me em corpos. Não. UM corpo... Entre suas mãos vi meus braços. Face a face, olho a olho (ainda que minha cabeça se projetasse para o alto). Não era lindo, mas era belo. Quase um anjo sem sexo. Mudos por longos minutos, apenas nos analisando. E por um segundo surgiu um sorriso. Desculpamo-nos ao mesmo tempo e seguimos nossos caminhos..."

Nesse momento acordei.

Abri lentamente os olhos, pedindo -desesperadamente- que fosse um sonho (eu não podia ser tão estúpida na vida real, não acham? Nem pedi o telefone do garoto!!! ツ), lentamente as mãos passearam pelo rosto, em um minuto de sonolência e despertar, e foi assim que aromas diferentes penetraram em minhas narinas... Dentre todos cheiros os de flores do campo sobressaiam-se... O corpo sentou, as mãos entre os cabelos enquanto os olhos abriam-se lentamente...

Era um quarto repeleto de cor... Inundado de flores amarelas. Percorri minhas mãos entre as pétalas finas e leves, levei algumas para as narinas e aspirei lentamente. Um aroma doce e adorável de flores... Flores...

A cabeça pendeu para o travesseiro, os olhos fecharam-se travessos e o sorriso no rosto persistiu... Pena que os poucos minutos de sonolência levaram embora todas as minhas pétalas sonhadoras...

De sonho em sonho... De corpos a flores... De risos a sorrisos.

Mas foram os cheiros de flores que me acompanharam por todo um dia.